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Resident Evil 5 não é Mais do Mesmo

Resident Evil 5 não é Mais do Mesmo

Era uma vez uma série de videogames. Seu foco principal era dar sustos no jogador enquanto ele atravessava ambientes sombrios acabando com zumbis, aranhas, cachorros e mais uma série de criaturas bizarras que, no decorrer da jogatina, descobria-se serem armas biológicas. O jogo, chamado Resident Evil, popularizou o gênero chamado Survival Horror e foi tido …

Review Overview

Gráficos
Audio
Jogabilidade
Replay

Jogaço para quem tem a mente aberta, se desprendeu dos títulos pré-RE4 ou simplesmente curte um Gears of War.

Summary : Gráficos excelentes, muita ação e tiroteio em detrimento aos quebra-cabeças e estratégia dos antecessores. Jogabilidade responde bem mais que a sua companheira, mas funciona muito bem. O som é incrível e a história surpreendente. Possui um modo no estilo The Mercenaries, com desafios, ranking e muita dificuldade, o que ajuda bastante no replay. Adicione à ele uns toques de colecionador e você terá um jogo que foge bastante das já normais "15h de gameplay" dos títulos do gênero.

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Era uma vez uma série de videogames. Seu foco principal era dar sustos no jogador enquanto ele atravessava ambientes sombrios acabando com zumbis, aranhas, cachorros e mais uma série de criaturas bizarras que, no decorrer da jogatina, descobria-se serem armas biológicas. O jogo, chamado Resident Evil, popularizou o gênero chamado Survival Horror e foi tido como referência para jogos de terror. Quebra-cabeças e ação na medida certa, enquanto explorava-se uma sequencia de ambientes variados, porém interligados. Resident Evil era tiroteio e destruição equilibrados com sustos e pensamento lógico. ERA…

Resident Evil não foi mais o mesmo desde o Resident Evil 4. Confesso não ter jogado o título por completo, mas tive um bom tempo de jogo. O 5, porém, estou jogando atenciosamente e, logo nas primeiras 3 horas fica claro: não há mais o compromisso com o gênero Survival Horror. Não me entendam mal, não estou reclamando do dinamismo dos controles, liberdade de movimentação, inteligência dos Majini (os Ganados do 4, evolução dos Zumbis clássicos) ou da parceria ativa entre Chris Redfield e Sheva Alomar. Essa evolução da série é fenomenal e completamente necessária para sua sobrevivência nos dias de hoje.

Prepare-se para não tomar sustos...“Então que história é essa de ‘falta de compromisso’?” A verdade é que Resident Evil 5 não te dá susto. E, quando vai dar, avisa claramente “ó… você vai se assustar”… Momentos como o clássico “estourar das janelas com cães invadindo o corredor” do iniciozinho do Resident Evil 1 não são mais os mesmos. Em Marshlands, por exemplo, quando você entra numa área com água até a linha da cintura e a música muda imediatamente. Nessa hora surge um crocodilo há uns 20m de distância e pronto, lá se foi uma perfeita hora para tomar um susto. Essa cena contrasta com a luta contra o crocodilo no Resident Evil 2: você vê Sherry caída e, quando chama por ela, o bixo surge do nada já atacando o jogador, junto com a mudança súbida de para uma música bem mais tensa. Isso era Resident Evil clássico… saber que vai acontecer algo assustador em pouco tempo é o novo Resident Evil.

Quebra-cabeças então, são inexistentes. Ou melhor, eles até existem, mas são vergonhosos. Um exemplo é que, até as 7h de jogo, o único que você encontrará vai ser catar umas peças para abrir uma porta de Marshlands. Sendo que isso é feito vagando-se em um Hovercraft por uma extensa área alagada, alcançando alguns poucos locais exploráveis, pegando a peça, matando os Majini que aparecerem e saindo. Você não tem mais que colocar quadros em ordem cronológica, não tem que afinar uma caixinha de música de relógio nem mesmo abrir um livro para descobrir que dentro dele tem uma moeda. Isso era Resident Evil clássico… Chegar, matar, pegar e sair é o novo Resident Evil.

roberto-irvingAs criaturas também mudaram. Você continuará batalhando com os mesmos conceitos clássicos, só que agora bem mais evoluídos. Desde o jogo anterior que não temos mais os clássicos zumbis causados pelos vírus da Umbrella. Agora temos parasitas conhecidos como Las Plagas, que se fundem ao sistema nervoso central do hospedeiro, tomando conta de suas funções corpóreas, acabando com seu raciocínio lógico mas não tirando sua inteligência ou conhecimentos pré-infecção. No título atual, os antigos Ganados estão infectados por uma nova variação do parasita, tornando-os muito mais inteligentes e rápidos: são os chamados Majini. Alguns parasitas têm a capacidade de alterar o corpo e as funções biológicas do indivíduo sem retirarem deles suas capacidades intelectuais.

Para os desavisados também não existem mais:

  • Busca pelos arquivos que contam histórias do jogo (eles são destravados automatiamente ao passar pelas fases);
  • Savepoints com música típica, typewriters e baús para guardar itens.

Em compensação, temos:colecionaveis-1

  • Miniaturas colecionáveis (idênticas aos trophies do Super Smash Bros Brawl) destraváveis baseando-se em fases, emblemas conquistados e quantidade de pontos;
  • Multiplayer (local ou via internet);
  • Achievements e Trophies para os que estão mais preocupados em subir rankings mundiais que saber o que estão jogando de verdade.

“Então quer dizer que Resident Evil 5 é um jogo muito decepcionante, certo?” Não. Pelo menos não para quem jogou Resident Evil 4 e já sabe os rumos que a franquia está tomando desde 98, quando o projeto do novo Resident Evil tava tão mudado que acabou virando a série Devil May Cry.

armadilhaRE5 tem tudo que uma superprodução da atualidade deve ter, começando pelo cuidado com a parte cinematográfica: suas cenas de ação são dignas de filmes como Indiana Jones e, por várias vezes, muito melhores que as cenas de ação dos próprios filmes da franquia. A riqueza de detalhes nesses videos é de assustar: Sheva, é extremamente emotiva e isso se reflete em sutis mudanças nas suas expressões e tom de voz. Ah sim, a dublagem dos personagens é tão incrível quanto as cenas.

Prepare-se para enfrentar muitos inimigosSenti um jogo mais rápido que o Resident Evil 4: a quantidade de inimigos é bem maior, os tiroteios são parte constante e correr de um lado para o outro para ganhar distância e melhor visão é obrigatório. Munição aparece em todo lado, impossibilitando aqueles clássicos momentos chefe-de-RE “Agora eu vô na faca mesmo”. A inteligência artificial é muito boa, permitindo que você possa contar com o apoio de Sheva o tempo todo. O meta-jogo de compra, venda e evolução de equipamentos continua o mesmo, porém sem a figura do vendedor do jogo anterior: a tela de transações é aberta entre as fases do jogo ou logo após a sua morte. “FASES?!?” Sim, ao contrário dos outros jogos da série, esse é dividido em fases. Você pode ir diretamente a uma fase de um capítulo via menu, mas não conseguirá mais correr entre as inúmeras áreas como antes.

cidade-em-ruinasOutra diferença é que, dessa vez, o jogo passa-se quase que completamente embaixo do Sol quente da África. Isso é um contraste com os outros títulos, que se passam predominantemente à noite, mas traz todo um charme: achei incrível ver que os ambientes metálicos enferrujados, os canos de vapor, as casas destruídas e as ruas pós-apocalipticas da série combinaram MUITO bem com a luz do dia.

Fases em veículos intercalam as grandes transições entre áreas de jogoOutro ponto interessante foi a adição de veículos. Você não passará por tiroteios só no Hovercraft previamente mencionado, mas também em jipes e barcos, ora pilotando, ora metralhando. Uma fase inteira, por exemplo, é passada metralhando ondas de Majinis em motos e caminhões.

“E a história?” Até o momento, estou gostando dela. Tá certo que não existe mais S.T.A.R.S., Umbrella, B.R.A.V.O. Team ou qualquer outro grupo conhecido da primeira trilogia, mas, como dito, isso já deve ser esperado da nova trilogia RE. Mesmo com grandes mudanças, a história ainda se prende diretamente à era clássica da série: com a queda da Umbrella, o bio-terrorismo alcançou níveis absurdos: Armas Bio-orgânicas (as clássicas B.O.W. da série) passaram a ser vendidas no mercado negro, fazendo com que qualquer grupo criminoso possa comprar seu El Gigante de estimação. Para tentat colocar controle nessa situação, foi fundada a BSAA,  organização anti-bioterrorismo da qual Chris Redfield passa a fazer parte. Ele e Sheva Alomar, sua parceira no jogo, têm a missão de capturar Ricardo Irving, um dos grandes responsáveis por essas vendas ilegais de B.O.W.s.

resident-evil-5-1O Resident Evil atual deixou de ser Survival Horror e tornou-se um jogo de tiro em 3a pessoa. Isso é um fato e, nesse ponto, passou a ser comparado diretamente com jogos como Gears of War. Nesse ponto, o jogo ganhou muito fôlego e dinamismo com relação ao design clássico, mas ainda não possui a jogabilidade flexível e intuitiva de Gears of War.

A sensação que eu tenho jogando Resident Evil 5 é que o conceito original foi diluído em água-com-açúcar para agradar a um público que vê qualidade em gráficos lindos e corpos explodindo ao invés de quebra-cabeças inteligentes, exploração e história profunda. Quem jogou antigamente e quer jogar agora deve esperar por uma série nova, com novas mecânicas e paradigmas, com novos prós e contras. Para aproveitar o jogo é necessário desprender-se do conceito clássico e encarar o novo título como um produto novo… como mais um filho embaixo do codinome Umbrella.

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Sobre Tiago Frossard

Analista de Sistemas por formação e gamer por opção. Fascinado por interatividade, gameplay, jogos em 2D e MMORPGS, não tem se maravilhado muito dos jogos AAA da atualidade, que parecem seguir sempre uma fórmula de vendas e pouca inovação. Para ele, nada melhor que um bom indie para passar o tempo.